AMAZONAS CULTURA

Ministério dos Povos Indígenas lança 1ª Feira Intercultural na 59ª edição do Festival de Parintins


Com a presença do ministro Eloy Terena, iniciativa reúne mais de 100 artesãos de sete associações para promover autonomia econômica, oficinas técnicas e protagonismo indígena entre os dias 25 e 28 de junho

O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) realiza, de 25 a 28 de junho, a 1ª Feira Intercultural dos Povos Indígenas de Parintins-AM, como parte da programação oficial do 59º edição do Festival folclórico. A abertura oficial ocorre na quinta-feira (25), às 18h, com a participação do ministro Eloy Terena. Localizada na Avenida Sá Peixoto, ao lado da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, a feira terá início a partir de sexta-feira (26), sempre às 9h, com o intuito de assegurar o protagonismo dos povos indígenas no evento, oferecendo ao público acesso direto à diversidade cultural, artesanato, grafismos, cerâmica, cestaria, biojoias e saberes tradicionais da região.

Em quase 60 anos de festival, os povos indígenas – que são o alicerce da cultura celebrada na arena – não possuíam um espaço oficial e exclusivo para expor suas variadas formas de arte com apoio do governo federal. A 1ª Feira Intercultural surge para conferir visibilidade, garantindo que os indígenas ocupem o centro da economia criativa do festival com autonomia e dignidade.

Ocupando uma área total de 700 m², a feira possui uma estrutura que compreende 50 cabines de exposição com nomes de rios, fauna e flora local para facilitar a localização, acomodando dois artesãos por unidade, totalizando mais de 100 expositores. Além disso, há uma área de grafismo com cinco especialistas em pinturas corporais e demonstrações tradicionais. 

Autoridades presentes

A solenidade de abertura contará com a presença de diversas autoridades:

  • Governo Federal: ministro Eloy Terena e presidenta da Funai, Lúcia Alberta.
  • Poder Legislativo: deputado federal Amon Mandel.
  • Governo Estadual: governador Roberto Cidade e presidente da Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur), Sérgio Paulo Monteiro.
  • Município de Parintins: O prefeito Mateus Assayag será representado pela secretária municipal de Cultura e Economia Criativa, Rozenilce Santos, acompanhada da vice-prefeita Vanessa Gonçalves.
  • Lideranças indígenas: Jecinaldo Sateré, coordenador do Distrito Sanitário Especial de Saúde Indígena (DSEI-SESAI), Maria Baré, coordenadora-geral da Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (APIAM); a ativista Vanda Witoto, o organizador da Comissão de Curadoria, Aldamir Sateré, e demais representantes da base do movimento indígena.
  • Presença: Bois Caprichoso e Boi Garantido.

Povos representados e curadoria

A seleção de artesãos foi conduzida por uma Comissão de Curadoria instituída em 8 de junho, garantindo autenticidade e representatividade. Coordenada por Aldemir Sateré, a comissão inclui as organizações: Associação Cultural dos Artesãos Indígenas de Parintins (AINDI), Associação de Mulheres Indígenas de Parintins (AMIP ou AMIPI), Associação Indígena do Povo Hixkaryana (ASPIARIN); Associação dos Povos Indígenas do Amazonas (APIAM); Conselho Geral do Povo Sateré-Mawé (CGPSM); Conselho Geral da Tribo Sateré-Mawé (CGTSM) e Conselho Geral do Povo Hixkaryana (CGPH). O Instituto Isva Flora e a Associação de Mulheres Sateré-Mawé Watyamã também integram o evento.

A feira abrange os seguintes povos da Amazônia Legal:

  • Amazonas: Povos Sateré-Mawé, Hixkaryana e Maraguá.
  • Pará: Povo Borari e Kaxuyana 
  • Roraima/Pará/Amazonas : Povo Waiwai

Desenvolvimento e qualificação técnica

Mais do que comercialização, o evento foca no fortalecimento dos empreendimentos indígenas. Um sistema de monitoramento registrará as vendas diárias para mensurar o impacto real dos povos indígenas na economia local.

As oficinas abordarão precificação, estratégias de marketing e gestão de negócios. As atividades são conduzidas pela Secretaria de Articulação e Promoção de Direitos Indígenas (SEART/MPI) e Secretaria de Gestão Ambiental e Territorial Indígena (SEGAT/MPI), pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e pelo Ministério do Empreendedorismo (MEMP). 

Estação Raízes

Como parte central de sua presença em Parintins, o MPI apresenta a Estação Raízes, um espaço de 25m² concebido para ser mais do que um ponto de serviço. Trata-se da materialização da campanha “Brasil raiz de verdade, é indígena o berço da nossa identidade”, lançada em 2026.

O estande funciona como um reconhecimento institucional de que a cultura indígena é a origem do festival. Com uma ambientação que privilegia texturas naturais, a Estação Raízes convida o brincante a recarregar não apenas seus celulares, mas sua consciência sobre o protagonismo indígena na formação do Brasil.

Histórico de uma tradição popular

Com sede na ilha de Parintins, localizada às margens do rio Amazonas e a 420 km de Manaus, o festival está fundamentado em uma tradição centenária derivada do boi-bumbá. Sua formalização ocorreu em 1965, originalmente para auxiliar na construção da catedral local, mas foi em 1966 que a emblemática disputa entre os bois Caprichoso e Garantido teve início. Desde então, a rivalidade histórica se intensificou, consolidando-se a partir de 1988 no Centro Cultural e Desportivo Amazonino Mendes, o Bumbódromo, onde as agremiações competem anualmente pelo título de melhor apresentação.


O espetáculo é uma profunda imersão na mística da Amazônia, utilizando alegorias, danças e rituais para narrar a lenda de Pai Francisco e Mãe Catirina, que culmina na ressurreição do boi pelo Pajé. Esse contexto folclórico exalta os saberes e as figuras dos povos originários e das comunidades ribeirinhas, trazendo à cena a biodiversidade e os mistérios do maior bioma do planeta. A 1ª Feira Intercultural dos Povos Indígenas insere-se justamente nesse cenário, conectando o simbolismo das arenas à realidade da produção cultural e econômica dos artesãos locais.

Atualmente, o Festival de Parintins é um fenômeno de massa que atrai mais de 100 mil visitantes e milhares de telespectadores durante três noites de duração. O evento explora temáticas regionais complexas, envolvendo performances teatrais e rituais indígenas que mobilizam a apaixonada “galera”. Ao realizar a feira neste período estratégico, o MPI se vale da visibilidade internacional para assegurar que o protagonismo e a autonomia financeira dos povos da região sejam fortalecidos em paralelo às celebrações culturais.

Serviço – 

Evento: 1ª Feira Intercultural dos Povos Indígenas de Parintins.

Abertura Oficial: Quinta-feira (25 de junho de 2026), às 19h.

Funcionamento da Feira: A partir das 9h.

Período: 25 a 28 de junho de 2026.

Local: Av. Sá Peixoto, Centro (ao lado esquerdo da Paróquia Sagrado Coração de Jesus) – Parintins/AM.

Programação Cultural: Diariamente, a partir das 16h.

Contatos de imprensa: Caio Luiz 61 9 9499-3675 / Renan Fontana 61 9 8325-0991


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