AMAZONAS ECONOMIA

Indústrias de Manaus têm nova queda no desempenho

O PIM perdeu força nas vendas pelo segundo mês seguido, em maio. As vendas em dólares subiram 1,87% ante abril, passando de US$ 1.07 bilhão para US$ 1.09 bilhão. O resultado, no entanto, foi 9,92% menor do que o de 12 meses atrás (US$ 1.21 bilhão). Convertido em reais (R$ 5,15 bilhões), o decréscimo mensal foi de 1,53%, enquanto o tombo anual foi de 18,51%. O acumulado do ano seguiu positivo para o faturamento em ambas as medidas. A alta em dólares (US$ 5.66 bilhões) foi de 13,04%, sendo acompanhada por uma elevação mais modesta de 3,11%, em reais (R$ 28,12 bilhões).

Assim como ocorrido nos meses anteriores, os subsetores mais fortes do PIM foram em direções opostas: enquanto bens de informática e duas rodas avançaram, eletroeletrônicos recuaram. Com isso, os resultados do acumulado ficaram ainda mais distantes da projeção inicial de o setor crescer 35% em 2022. Os dados são dos Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus, e foram divulgados pela Suframa, nesta sexta (29). A mesma base de dados informa, por outro lado, uma nova desaceleração nos empregos, embora estes tenham se mantido acima do patamar histórico das 100 mil vagas.

Na análise em dólares, 21 dos 26 subsetores listados pela Suframa fecharam o acumulado de janeiro a maio no azul. A maior alta proporcional se deu novamente no segmento minoritário de “diversos”, o único a alcançar alta de três dígitos (+80,32% e US$ 37.34 milhões). Foi seguido de longe pelos polos de brinquedos (+59,02% e US$ 20.42 milhões) e de duas rodas (+51,92% e US$ 2.06 bilhões). O tombo mais significativo veio de couros e similares (-15,42% e US$ 3.55 milhões).

Majoritárias e responsáveis, juntas, por praticamente metade do faturamento total do PIM, as divisões de bens de informática e eletroeletrônicos voltaram a ficar em extremos opostos em termos de faturamento. A primeira emendou o quarto mês de liderança, respondendo por 32,74% de participação e alta de 45,30% em cinco meses (US$ 4.51 bilhões). A segunda correspondeu à metade desse share (16,46%), ao ver suas vendas encolherem 7,269% (US$ 2.27 bilhões). As posições seguintes do ranking foram ocupadas pelos subsetores de duas rodas (14,93%), termoplásticos (8,47% e US$ 1.17 bilhão), químico (8,34% e US$ 1.15 bilhão) e metalúrgico (8,22% e US$ 1.13 bilhão). 

Entre os principais produtos do PIM, os destaques positivos de produção no acumulado vieram das motocicletas, motonetas e ciclomotores (alta de 22,71% e 573.353 unidades), tablets (+31,35% e 1.014.035), unidades evaporadoras para split system (+168,63% e 164.824), unidades condensadoras para split system (+119,89% e 74.150), compact discs (+39,86% e 1.243.250), aparelhos de GPS (+89,95% e 23.744) e lâminas e cartuchos (+42,65% e 70.841.061). Tradicionais carros-chefes do Polo, entretanto, foram na direção oposta. A lista inclui TVs com tela LCD (-14,48% e 3.908.558) –apesar de o ano ser de Copa –e celulares (-57,42% e 2.450.140), entre outros. 

Empregos desaceleram

Os empregos do PIM seguiram acima da marca dos 100 mil, mas, o contingente desacelerou pelo sétimo mês seguido, e atingiu o menor número do ano. A média obtida em maio foi 103.647 vagas, entre trabalhadores efetivos, temporários e terceirizados. Ficou 1,04% abaixo do dado de abril (104.733), sendo o menor patamar desde junho de 2020 (103.763). Já a comparação com o mesmo mês do ano passado (102.742) mostrou acréscimo de apenas 0,88%, ficando estatisticamente estável.

A média mensal de mão de obra do Polo Industrial de Manaus ao longo dos cinco meses iniciais deste ano, por outro lado, marcou estabilidade novamente, e novamente com troca de sinal. No total, foram contabilizados 105.618 postos de trabalho no exercício atual, o que equivale a uma leve variação positiva de 0,05% ante o “ano cheio” de 2021 (105.568). Mesmo assim, foi o melhor número desde 2016 (86.885), embora ainda tenha ficado bem distante do patamar de 2015 (105.015). 

Levando em conta só a mão de obra efetiva, o saldo no aglutinado até abril deste ano ficou negativo em 1.907 vagas, dado o predomínio dos desligamentos (13.143) sobre as contratações (11.236). Foi o quarto dado negativo seguido, após os cortes promovidos até fevereiro (-343), março (-1.219) e abril (-1.740). Também foi o pior resultado da série histórica fornecida pela Suframa, desde 2018 (-1.310). Em divulgações anteriores, a autarquia federal informou que as ocupações diretas em mão de obra representam mais de 80% dos empregos da indústria amazonense, em média.

Em texto divulgado por sua assessoria de imprensa, o titular da Suframa, Algacir Polsin, considerou que o balanço parcial do ano foi positivo para a indústria incentivada de Manaus. Na análise do dirigente, a expectativa para os próximos meses também é positiva, em virtude da aproximação das festas de fim de ano e eventos que tendem a aquecer a economia até dezembro. “É positiva, por conta da sazonalidade de todos os anos e agora também por conta de eventos como a própria Copa do Mundo. O que a gente observa é que a inflação está sendo reduzida e há uma tendência de melhora no mercado para o segundo semestre”, avaliou.

“Recuperação moderada”

Em entrevista concedida ao jornal o “Globo”, ao falar da queda de vendas do segmento no acumulado até maio, o presidente da Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos), José Jorge do Nascimento Júnior, ressaltou que a base de comparação foi fortalecida pelo pico de vendas de produtos da linha branca, nos meses mais duros da pandemia. Mas, concordou que o consumidor está “bastante retraído”. 

“A venda desses produtos de maior valor é muito dependente do nível de confiança e mesmo voltando gradualmente o emprego, para que o cliente decida comprar um televisor ou uma geladeira é preciso um cenário mais positivo”, ponderou. “É natural que haja retração, afinal, estes produtos são de vida útil bastante longa”, emendou, acrescentando que a expectativa para o segundo semestre é de uma “recuperação moderada”, em razão da Black Friday, Copa do Mundo e Natal.

“Crescimento sustentado”

A avaliação é diferente no polo de duas rodas. Diante dos números de maio, o presidente da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), Marcos Fermanian, já havia demonstrado otimismo para os meses seguintes. Em entrevista coletiva concedida neste mês, o dirigente reforçou as apostas e elevou a projeção de crescimento de 7,9% (1,29 milhão de unidades) para 10,5% (1,32 milhão) ao final do ano.

“As unidades fabris retomaram o ritmo das linhas de montagem e registram crescimento sustentado. Somado a isso, temos um mercado com tendência de alta, com o avanço dos serviços de entrega (delivery), o maior uso da motocicleta nos deslocamentos urbanos, além do fator aumento dos preços dos combustíveis”, comemorou.

Fermanian ressalvou que, mesmo com o aumento da expectativa de produção, a entidade segue atenta às “diversas variáveis” que podem impactar negativamente no mercado, como a alta da inflação e o aumento da taxa de juros. “São fatores que reduzem bastante o poder aquisitivo da população. Além disso, estamos num ano eleitoral e, como acontece sistematicamente, isso gera muito estresse no mercado”, encerrou.

Indústria do Amazonas produz mais e vende menos. Insumos seguem como maior problema

A indústria do Amazonas aumentou as horas trabalhadas e o uso da capacidade instalada, em maio. Houve reflexo positivo também na geração de postos de trabalho. Mas, em sintonia com o agravamento da crise na cadeia global de suprimentos, o esforço se refletiu mais na reposição de estoques. As fábricas acabaram vendendo menos, em todas as comparações, em um mês em que a massa salarial também ficou menor. É o que revelam os dados locais dos Indicadores Industriais da CNI (Confederação Nacional da Indústria), compilados em parceria com a Fieam (Federação da Indústria do Estado do Amazonas).

Outro estudo da CNI aponta que a indústria de transformação registra, há oito trimestres seguidos, a falta ou o alto custo de insumos e matérias-primas como principal problema. Entre abril e junho, o cenário se repetiu e voltou a interferir na produção de 22 dos 25 setores industriais. No segundo trimestre, 71,7% das fábricas do subsetor de Impressão e Reprodução registraram esse problema. O mesmo se deu nos segmentos de produtos de limpeza, perfumaria e Higiene Pessoal (70%), veículos automotores (69,8%), calçados e suas partes (68,3%), bebidas (66%), produtos de borracha (63,3%) e farmoquímicos e farmacêuticos (62,5%).

Conforme os Indicadores Industriais da CNI, o faturamento real da manufatura do Amazonas tombou 10,3% na variação mensal, ampliando a perda de abril (-12,2%). Vale notar que o indicador ficou positivo em apenas um dos cinco meses iniciais do ano, nesse tipo de comparação. As vendas despencaram 21,3% ante maio de 2021. No acumulado do ano, ainda houve aumento de 6,2%. Em contraste, a média foi favorável em praticamente todos os cenários (+1,8%, +0,2% e -4,2%, respectivamente). 

Em paralelo, as horas trabalhadas nas linhas de produção da indústria amazonense mantiveram o passo (+2,5%), entre abril e maio deste ano, acelerando na comparação com o resultado da sondagem anterior (-7,4%). No confronto com a marca de 12 meses atrás, o indicador escalou 15,1%, segurando o acumulado do ano em alta de 17,8%. Em todo o país, o setor foi pouco além da estagnação na variação mensal (+1,6%), embora tenha crescido de forma mais robusta nas demais comparações (+4,9% e +2,4%). 

A UCI (utilização da capacidade instalada) –que trata do percentual de máquinas comprometidas na produção –decolou 9,8 pontos percentuais (+12,89%) no mês, após o tombo sofrido em abril (-7,4 p.p.). Passou de 76% para 85,8%, entre o quarto e o quinto mês deste ano. Em relação a maio do ano passado (80,1% de uso), a expansão foi de 5,7 p.p. (+7,12%). A indústria do Amazonas usou 74,7% de sua capacidade instalada, em média, no aglutinado dos cinco meses iniciais do ano, registrando variação positiva de 6,5 p.p. em relação a 2021. O indicador nacional (80,9%) praticamente empatou com o dado de abril de 2022 (81%) e encolheu ante março de 2021 (81,3%).

O levantamento da CNI confirma o que o IBGE já havia mostrado em sua pesquisa mensal para o mês: a produção industrial do Amazonas subiu nas variações mensal (+6,6%) e anual de maio (+9,1%), interrompendo dois meses consecutivos de estagnação. Mas, apesar de mostrar crescimento em 2022 (+2,1%), o setor segue negativo no acumulado dos últimos 12 meses (-1,8%), embora tenha se saído melhor do que a média nacional. 

Empregos e salários

Os dados relativos à mão de obra da indústria do Amazonas, por sua vez, mostraram novamente resultados conflitantes. O saldo de contratações no parque fabril do Estado foi pouco além do zero a zero e subiu 0,7%, na comparação com abril. Foi o segundo resultado positivo em um ano de oscilações, mas o número foi insuficiente para recuperar a perda anterior (-5,8%). No confronto com o quinto mês de 2021, houve alta de 5,6%, segurando o acumulado no azul, mas já dilapidado à casa de um dígito (+9,2%). Em âmbito nacional, o setor estancou na variação mensal (+0,1%), e subiu em ritmo menor nas demais comparações (+1,5% e +2,4%).

Outros levantamentos já haviam confirmado que as contratações superam as demissões na indústria do Amazonas. Segundo o Novo Caged, o setor interrompeu uma série de dois meses em queda para criar 22 vagas celetistas em âmbito estadual, gerando variação positiva de 0,02% na comparação com o estoque anterior. O saldo foi puxado pelos segmentos de água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação (+64 vagas), de eletricidade e gás (+34) e da indústria extrativa (+10), mas a indústria de transformação (-86 e -0,08%) foi a única a efetivar cortes. Mas, a atividade continua com saldo negativo no acumulado do ano (-285).

O mesmo não pode ser dito da massa salarial real da manufatura amazonense, que emendou seu segundo mês seguido no vermelho, conforme a CNI. O retrocesso foi de 4,1%, na passagem de abril para maio, em queda mais amena do que a anterior (-8,7%). Em relação ao patamar de 12 meses atrás, no entanto, foi registrada uma decolagem de 30,8%, ajudando a manter o aglutinado de janeiro a maio em alta de 26%. Na média brasileira, a variação mensal ficou positiva em 1,3%, e teve altas de um dígito nas elevações anual (+5,2%) e acumulada (+2,3%). 

Empregos e insumos

Em texto distribuído pela assessoria de imprensa da CNI, o gerente de Análise Econômica da entidade, Marcelo Azevedo, considerou que os números nacionais dos Indicadores Industriais foram positivos, principalmente no que se refere aos empregos. “O resultado de maio é importante, pois reverte, ainda que parcialmente, o resultado mais negativo de abril. E a retomada da trajetória positiva do mercado de trabalho é muito importante”, amenizou.

Em outro texto veiculado pela CNI, a economista da entidade, Paula Verlangeiro explica que, aproximadamente, metade da produção industrial é consumida como insumo pela própria indústria. Dessa forma, a falta ou alto custo de insumos se dissemina por toda a cadeia de produção, com aumento de preços ou redução da produção. Os motivos apontados são a pandemia e a guerra na Ucrânia, além dos “severos lockdowns na China”. 

“Os dois últimos fatores atrasaram a normalização das cadeias de insumos globais, que ainda não haviam se recuperado totalmente dos choques da pandemia. Além de dificultarem a recuperação da produção, contribuíram para pressionar mais os preços e aumentar a inflação global. A expectativa é de normalização apenas em 2023”, frisou.

“Cenário de instabilidade”

Em entrevistas recentes à reportagem do Jornal do Commercio, o presidente da Fieam, e vice-presidente executivo da CNI, Antonio Silva, reforçou que a economia funciona de forma cíclica, sendo natural que, após um período de inflexão negativa, os números apresentem alguma retomada – e vice-versa. “De igual modo, ao superarmos os problemas decorrentes da crise atual imposta pela pandemia, devemos observar indicadores positivos, fruto de uma nítida demanda reprimida e redução do poder aquisitivo da população”, completou.

O dirigente acrescenta que é necessário ressalvar também que as bases comparativas foram prejudicadas, em decorrência da pandemia e do problema global na cadeia de fornecimento de insumos. “As análises comparativas pontuais devem ser ponderadas sob uma ótica menos conclusiva. Temos ainda um cenário de instabilidade decorrente das eleições no segundo semestre do ano. Nossas expectativas são de que os números continuem apresentando inflexões voláteis até o primeiro semestre de 2023”, concluiu.

Via Jornal do Commercio AM

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