“Tínhamos Direita X Esquerda e agora temos a Esquerda do INSS”
A política amazonense acaba de perder a sua “pureza” de opostos. O que se desenhava como um duelo de espelhos entre o lulismo de Omar Aziz e o conservadorismo de Maria do Carmo foi implodido por um fato novo: a entrada de David Almeida na disputa pelo Governo, agora chancelada por Carlos Lupi.
O anúncio do PDT, feito neste 6 de fevereiro de 2026, não traz apenas um novo nome para as urnas; traz para o centro do debate amazonense o “DNA” de um governo federal que ainda tenta estancar as feridas de sua maior crise de gestão.
O peso da aliança e o fator Lupi
Ao se colocar como a terceira via, David Almeida tenta se descolar da polarização nacional, mas acaba mergulhando em águas turvas. Ao aceitar o apoio da estrutura de Carlos Lupi, o prefeito de Manaus carrega para sua campanha o estigma do escândalo das fraudes no INSS, que derrubou Lupi do Ministério da Previdência em maio de 2025.
A estratégia é arriscada por dois motivos centrais:
A “Máquina” de Manaus encontra a “Crise” de Brasília: David usará a força da prefeitura, mas terá que responder pelos pecados de seus novos aliados na Esplanada. Como falar em eficiência administrativa de mãos dadas com o partido que negligenciou um rombo bilionário nos descontos de aposentados?
O Desgaste da Base: Com uma rejeição que beira os 68% na capital (segundo dados da Perspectiva de dezembro/25), David precisava de um fato novo. Mas o “novo” que ele traz é um PDT umbilicalmente ligado ao maior escândalo ético do atual Governo Lula.
O cenário fragmentado: O Fim do “Azul vs. Vermelho”
Com o fim da dualidade, o eleitor se vê diante de um paradoxo. De um lado, Omar Aziz lidera as pesquisas (beirando os 40%) com sua lealdade inabalável a Lula. Do outro, Maria do Carmo (consolidada em 2º lugar com 23%-29%) personifica a resistência da direita.
No meio, surge David Almeida. Ele tenta vender a imagem de gestor independente, mas agora caminha sob a sombra pesada de uma base governista manchada por denúncias de corrupção. O “cinza” das investigações federais agora tinge a sua candidatura.
A partir de agora, o palanque no Amazonas não será apenas para propostas. Maria do Carmo ganha munição pesada para associar David ao “fisiologismo de Brasília”, enquanto Omar Aziz terá que disputar o título de “aliado preferencial” do Planalto com um rival que traz o PDT na bagagem.
O fim da “dualidade pura” marca o início de uma eleição em que o passado recente de Brasília — e as cifras bilionárias desviadas do INSS — terá tanto peso quanto os problemas reais das ruas de Manaus e do interior do Amazonas.
