Eduardo Braga, Plínio Valério, Alberto Neto e Wilson Lima têm forças distintas na capital e no interior do estado
A 26 dias da eleição, a disputa pelas duas vagas do Amazonas no Senado continua aberta.
Embora haja nove candidaturas registradas no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) para o Senado, somente quatro delas se mostram, até aqui competitivas:
Eduardo Braga (MDB), Plínio Valério (PSDB), Alberto Neto (PL) e Wilson Lima (União Brasil) concentram as maiores chances nos levantamentos recentes, mas chegam à reta final com mapas eleitorais bastante diferentes.
“Meus dados mostram Eduardo Braga estável, tanto na capital quanto no interior, na primeira vaga. Já a segunda vaga existe um empate técnico entre os três candidatos citados”, diz o professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Afrânio Soares, diretor-presidente do Instituto Action de Pesquisas.
A pesquisa mais recente, do Paraná Pesquisas, realizada entre 2 e 4 de setembro, mostra Braga com 50%, Alberto com 39,3%, Valério com 28,9% e Lima com 25,6%. Como o eleitor escolherá dois senadores, os percentuais não representam uma disputa de voto único.
O cenário, porém, é menos definido quando se observam as pesquisas anteriores. Na Quaest, divulgada em agosto, Braga tinha 25%, Alberto 16%, Valério 13% e Lima 12%. Na Real Time, Alberto aparecia com 24%, Lima com 19%, Braga com 18% e Valério com 14%.
Candidato à reeleição, Braga é o nome com maior capilaridade territorial. Na pesquisa Eficaz de agosto, tinha 23,2% em Manaus e 34,6% no interior.
Outro ativo é o segundo voto. Levantamento Iveritas de junho mostrou Braga com 25,5% como primeira escolha e 16% como segunda.
Há também outro ingrediente importante nessa disputa.
O senador do MDB está no palanque de Omar Aziz (PSD) para o Governo do Amazonas. Ao mesmo tempo, recebeu o apoio do prefeito de Manaus, Renato Magalhães Júnior (Avante), que também declarou apoio a Plínio Valério para a segunda vaga.
A combinação é politicamente relevante porque mostra que o voto para o Senado pode atravessar a divisão dos palanques estaduais.
Valério: aposta no segundo voto
Já Plínio Valério aparece abaixo de Braga e Alberto na pesquisa Paraná, mas apresenta um comportamento diferente em alguns levantamentos: é mais forte como segunda opção do que como primeira.
Na pesquisa Iveritas, tinha 8,9% como primeiro voto e 13% como segundo.
O senador recebeu o segundo apoio de Renato Júnior, depois de Braga. Mas Valério fez questão de separar o apoio do prefeito de uma eventual adesão a David Almeida (Avante), candidato a governador. Segundo o senador, não houve compromisso para apoiar o prefeito na disputa pelo governo.
Valério também mantém relação política e pessoal com Aziz e declara apoio ao senador na corrida pelo governo.
Portanto, embora Renato Júnior esteja ligado à campanha de Almeida, o apoio dele a Valério não significa que o candidato tenha aderido à candidatura do ex-prefeito.
Alberto: capital x interior
Alberto Neto aparece quase sempre entre os dois primeiros colocados, mas seu principal desafio é transformar a força em Manaus em votação no interior.
Na Eficaz, o deputado tinha 19,7% na capital e 11,2% no interior. Assim, diferença territorial se mostra relevante.
Outro componente da disputa é a associação com o bolsonarismo. Alberto é candidato pelo PL e tem no ex-presidente Jair Bolsonaro e no senador Flávio Bolsonaro referências centrais de seu campo político.
Efeito Flávio Bolsonaro
O ambiente nacional, entretanto, pode produzir efeitos sobre sua candidatura no Amazonas
Nas últimas semanas, porém, Flávio passou a enfrentar desgaste político provocado por reportagens e questionamentos envolvendo sua relação com o empresário Daniel Vorcaro e o financiamento de um filme sobre seu pai.
Esse ambiente pode ser um fator de risco para Alberto, por sua associação política com o grupo Bolsonaro. Nos bastidores, segundo relatos ouvidos pelo BNC Amazonas, integrantes da própria campanha reconhecem o potencial de desgaste provocado pelo cenário nacional.
A chapa também é alvo de críticas dos adversários em razão do primeiro suplente, Alessandro Bronze Toniza. A oposição explora a hipótese de Toniza assumir a cadeira caso Alberto seja eleito e posteriormente deixe o Senado para disputar a Prefeitura de Manaus em 2028.
Esperança de Lima é o interior
Ex-governador, Wilson Lima disputa o Senado na mesma composição política do governador Roberto Cidade (União Brasil).
O desempenho nas pesquisas, entretanto, ainda não acompanha a força do grupo político. Na Eficaz, Lima tinha 22,3% no interior e 9,7% em Manaus, a maior diferença territorial entre os quatro principais candidatos.
O problema adicional é a rejeição. Na pesquisa Paraná, Lima aparece com 38,2%, contra 22% de Braga, 17,9% de Alberto e 10,4% de Valério.
Assim, sua principal tarefa eleitoral é converter a vantagem no interior em uma votação estadual mais equilibrada, sobretudo na capital.
Segundo voto pode decidir
Desse modo, a eleição de dois senadores cria uma dinâmica diferente da disputa pelo governo.
O eleitor pode combinar candidatos de grupos políticos diferentes, o que abre espaço para alianças eleitorais que não se repetem na eleição majoritária para governador.
O apoio de Renato Júnior a Braga e Valério é um exemplo dessa lógica: o prefeito está ligado à candidatura de Almeida, enquanto Braga está no campo de Aziz; ainda assim, o prefeito escolheu os dois para o Senado.
É nesse espaço que a disputa pode se decidir.
Braga tem a maior capilaridade; Alberto depende da manutenção da força em Manaus e de crescimento no interior; Lima precisa reduzir a distância entre capital e interior; e Valério aposta na capacidade de ser escolhido como segundo voto.
Com pesquisas tão diferentes nas últimas semanas, as duas cadeiras continuam sem definição a 26 dias da eleição.
