Os ônibus do transporte coletivo de Manaus voltaram a circular nesta terça-feira (22), após uma paralisação parcial dos rodoviários que afetou o serviço durante a manhã em diferentes regiões da capital. O movimento começou por volta das 10h40 e foi motivado pela reclamação dos trabalhadores sobre o atraso no pagamento do adiantamento salarial, previsto para o dia 20 de cada mês.
Durante a paralisação, parte dos veículos foi retirada de circulação e encaminhada para as garagens. Houve registros de redução da frota nos terminais 1, 3, 4 e 5, com aumento do tempo de espera e concentração de passageiros. No Terminal 4, no bairro Jorge Teixeira, ônibus chegaram a ser recolhidos, enquanto no Terminal 3, na Cidade Nova, passageiros enfrentaram filas diante da redução da oferta.
O movimento foi encerrado ainda nesta terça-feira e os coletivos começaram a retornar às ruas. A paralisação, no entanto, voltou a expor a dificuldade enfrentada pelos trabalhadores do sistema em relação ao cumprimento dos pagamentos e a situação financeira das empresas responsáveis pelo transporte coletivo.
Trabalhadores reclamam de atraso
Segundo informações repassadas pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus (STTRM), o pagamento que deveria ter sido realizado no dia 20 não havia sido depositado. O adiantamento salarial é pago normalmente nessa data e o atraso provocou a mobilização de trabalhadores.
O sindicato afirmou que a paralisação foi iniciada pelos próprios trabalhadores e que não se tratava de um movimento previamente organizado pela entidade. A Prefeitura de Manaus também informou que o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários não comunicou previamente a paralisação.
Com a redução da frota, passageiros foram surpreendidos durante o deslocamento pela cidade. Além dos terminais, a interrupção provocou reflexos nas atividades de instituições que dependem do transporte coletivo.
A Universidade Federal do Amazonas (Ufam), por exemplo, autorizou a realização de atividades acadêmicas e administrativas de forma remota durante a tarde e a noite desta terça-feira. A medida foi adotada diante das dificuldades de deslocamento provocadas pela paralisação.
Prefeitura aponta dificuldades financeiras
Em nota, a Prefeitura de Manaus informou que acompanhou a paralisação e afirmou que o movimento não havia sido comunicado previamente pelo sindicato.
A administração municipal declarou ainda que vem cumprindo suas responsabilidades relacionadas ao transporte público e buscando garantir a continuidade do serviço diante das dificuldades financeiras enfrentadas pelas empresas operadoras.
Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), os atrasos nos repasses do Governo do Amazonas relacionados ao Passe Livre Estudantil da rede estadual têm afetado o fluxo de caixa das empresas e o cumprimento dos compromissos com os trabalhadores.
A Prefeitura afirma que mantém o benefício destinado aos estudantes sob sua responsabilidade e que a participação do Governo do Amazonas no custeio do transporte dos alunos da rede estadual é objeto de discussão judicial.
Problema não é isolado
A paralisação desta terça-feira ocorre em um contexto de recorrentes dificuldades envolvendo pagamentos aos trabalhadores do transporte coletivo de Manaus.
O novo episódio recoloca em discussão a situação financeira das empresas e a relação entre os repasses destinados ao custeio do sistema e o pagamento dos trabalhadores. Para os passageiros, os problemas acabam se refletindo diretamente na oferta do serviço e na rotina de deslocamentos pela cidade.
Após a mobilização desta terça-feira, os ônibus voltaram gradualmente a circular em Manaus. A Prefeitura informou que mantém diálogo com representantes das empresas e dos trabalhadores para evitar novos prejuízos à população.
Via Jornal do Comercio do Amazonas
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