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Associações alertam para riscos à imprensa após STF autorizar buscas contra fonte de jornalista


Entidades do ramo da comunicação demonstraram preocupação com operação liberada por Moraes e que mirou suposto informante

Associações jornalísticas publicaram nota conjunta nesta terça-feira (11), em que manifestam “profunda preocupação” com a ação policial que mirou Raimundo Cutrim. Ele foi mencionado em despacho do ministro Alexandre de Moraes como fonte anônima de uma reportagem sobre o suposto uso de carros oficiais por parentes do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal).

A nota foi assinada pela Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), a ANJ (Associação Nacional de Jornais) e a Aner (Associação Nacional de Editores de Revistas).

Ações judiciais que quebram o sigilo da fonte não têm amparo constitucional e abrem precedentes que ameaçam a liberdade de imprensa, amparada pela Constituição de 1988”, diz a nota.

O texto reitera que a Constituição Federal é taxativa no direito do jornalista de manter o sigilo da fonte quando necessário.

“Casos de questionamentos a reportagens devem ser tratados dentro da lei, que prevê direito de resposta e indenizações. A violação do sigilo do profissional e de fontes leva a intimidações contra a imprensa que não condizem com o Estado Democrático de Direito e o livre exercício do jornalismo”, completa o texto.

O ministro Alexandre de Moraes autorizou, nessa terça-feira (11), uma busca e apreensão contra ex-secretário do governo estadual do Maranhão, apontado como suposta fonte do jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, que publicou notícia sobre o uso de carros oficiais pela família do ministro Flávio Dino.

Moraes aponta Raimundo Cutrim como a fonte das informações publicadas pelo jornalista, do Blog do Luís Pablo. As buscas ocorreram após a PF (Polícia Federal) obter informações do celular do jornalista.

Via R7

Nota à imprensa: Busca e apreensão

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) manifestam profunda preocupação com a autorização de busca e apreensão contra o ex-secretário de Assuntos Legislativos do Maranhão, Raimundo Cutrim, apontado como fonte do jornalista Luís Pablo, que publicara em seu blog notícias sobre o suposto uso de automóveis do Tribunal de Justiça do Estado por familiares do ministro do STF Flávio Dino. O jornalista já havia sido alvo de quebra de sigilo em março, após publicar as informações. 

A busca e apreensão contra o ex-secretário foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, após solicitação da Polícia Federal, e endossada pela Procuradoria Geral da República.

Ações judiciais que quebram o sigilo da fonte não têm amparo constitucional e abrem precedentes que ameaçam a liberdade de imprensa, amparada pela Constituição de 1988. O artigo 5º, inciso XIV, diz taxativamente que é “resguardado o sigilo da fonte quando necessário para o exercício profissional”.

Casos de questionamentos a reportagens devem ser tratados dentro da lei, que prevê direito de resposta e indenizações. A violação do sigilo do profissional e de suas fontes leva a intimidações contra a imprensa que não condizem com o Estado Democrático de Direito e o livre exercício do jornalismo.

Brasília, 11/08/2026

Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT)
Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER)
Associação Nacional de Jornais (ANJ)

Especialistas avaliam decisão de Moraes sobre fonte de jornalista

Decisão que autorizou busca e apreensão contra fonte de jornalista reacende debate sobre sigilo da fonte e liberdade de imprensa

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou buscas contra o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão Raimundo Cutrim, apontado como fonte do jornalista Luís Pablo, levantou questionamentos entre especialistas sobre os limites da atuação do Estado diante da garantia constitucional do sigilo da fonte.

Houve ponderações e críticas devido ao impacto que a medida tem na atividade jornalística. Os especialistas acrescentaram que as fontes podem se sentir intimidadas e desencorajadas a repassar informações porque a Justiça desrespeita um preceito previsto na Constituição.

O caso envolve reportagens publicadas por Luís Pablo sobre o suposto uso de veículos oficiais do TJ-MA (Tribunal de Justiça do Maranhão) pela família do ministro Flávio Dino, também integrante do STF. A medida contra Cutrim foi solicitada pela PF (Polícia Federal) e recebeu aval da PGR (Procuradoria-Geral da República).

O jornalista já havia sido alvo de uma operação em março, quando Moraes autorizou a apreensão de celulares e computador na residência dele. Na ocasião, o ministro apontou a existência de indícios do crime de perseguição e mencionou que as publicações poderiam ter permitido a identificação de informações relacionadas à segurança de autoridades.

O STF posteriormente esclareceu que a investigação contra Luís Pablo não tinha como objeto crimes contra a honra ou a liberdade de expressão. Segundo a Corte, a apuração buscava esclarecer um suposto monitoramento ilegal da segurança de Flávio Dino em São Luís. Apesar disso, a decisão de março fez referência ao chamado inquérito das fake news, o que provocou questionamentos de entidades ligadas à imprensa.

Sigilo da fonte

Para a advogada constitucionalista Vera Chemin, ouvida pela CNN Brasil, o sigilo da fonte é uma garantia essencial para o exercício do jornalismo. Ela afirmou que a proteção está prevista no artigo 5º, inciso XIV, da Constituição e não poderia ser afastada simplesmente para verificar posteriormente se houve alguma irregularidade.

Na avaliação da especialista, a identificação de uma fonte a partir de informações obtidas em equipamentos apreendidos de um jornalista pode representar uma forma indireta de contornar a proteção constitucional. Para ela, esse tipo de procedimento pode produzir um efeito de intimidação sobre profissionais e potenciais informantes.

Vera Chemin ressaltou que a violação do sigilo da fonte só seria admissível em situações excepcionais, como casos que envolvam segredo de justiça ou segurança nacional, e desde que existam “indícios fortíssimos de autoria e de materialidade do crime”. Segundo ela, “não se pode violar o sigilo para depois verificar se houve um crime ou não”.

A professora da FGV-Easp, Ligia Maura Costa, afirmou que a imprensa livre depende da existência de fontes protegidas, especialmente em investigações jornalísticas envolvendo denúncias de interesse público.

Costa declarou que, caso a identificação de Cutrim tenha ocorrido a partir da análise de dados dos equipamentos apreendidos com Luís Pablo, o Estado teria alcançado indiretamente uma informação que a Constituição procura proteger: a identidade da fonte jornalística.

“Se eu não tiver sigilo de fonte, ninguém vai relatar, ninguém vai reportar à imprensa”, afirmou Costa.

Ela ressaltou, porém, que a análise jurídica completa depende do conteúdo dos autos, que permanecem sob sigilo. Ela também ponderou que eventuais ilícitos cometidos pelo jornalista ou pela fonte devem ser analisados separadamente.

Entidades veem risco à liberdade de imprensa

A discussão também provocou manifestações de entidades do setor. Em nota conjunta, a ABERT (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), a ANER (Associação Nacional de Editores de Revistas) e a ANJ (Associação Nacional de Jornais) afirmam que a medida é “preocupante” e pode atingir a garantia constitucional do sigilo da fonte.

As entidades destacam que a proteção ao sigilo da fonte é assegurada pela Constituição e deve ser respeitada independentemente do veículo de comunicação ou de sua linha editorial. Segundo as associações, “qualquer medida que eventualmente viole essa garantia representa um ataque ao livre exercício do jornalismo”.

Via CNN Brasil


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