AMAZONAS JUSTIÇA

Último encontro do curso “Gênero em Foco” promove debate sobre o protagonismo das mulheres indígenas no enfrentamento à violência doméstica


A aula reuniu 22 profissionais que atuam na Rede de Proteção às mulheres indígenas.

Na manhã desta terça-feira (14/7), a Escola Judicial do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (Ejud/TJAM) realizou o último encontro do curso “Gênero em Foco – População Indígena”. A aula reuniu 22 profissionais, entre assistentes sociais, advogados, advogadas e integrantes da rede de proteção e acolhimento à mulher indígena, para debater estratégias de comunicação, escuta qualificada e o protagonismo das mulheres indígenas no enfrentamento à violência doméstica.

Realizada na sala de aula da Ejud, localizada no Fórum Ministro Henoch Reis, no bairro Aleixo, zona centro-sul de Manaus, a formação foi ministrada pela advogada Sateré-Mawé, Artemísia do Vale; pela psicóloga da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Viviane Verçosa; e pela professora e fundadora do Espaço Cultural Indígena Wakenai Anumarehit, localizado no Parque das Tribos, Claudia Baré.

Durante o encontro, foram discutidos temas como a perspectiva descolonial no atendimento às mulheres indígenas, a desconstrução da ideia de que a violência de gênero seja um aspecto cultural e a importância da capacitação contínua dos profissionais para uma escuta qualificada e uma comunicação intercultural.

Segundo Viviane Verçosa, a violência contra a mulher indígena deve ser compreendida e enfrentada por todas as instituições, sejam da saúde, educação ou do sistema de Justiça.

“Violência é violência em qualquer lugar, em qualquer população, em qualquer povo, em qualquer forma de existência. Essa discussão se dá a partir de algumas pessoas, mulheres indígenas, profissionais que atuam e já atuaram na saúde indígena e a gente precisa estar preparado porque a violência existe”, afirmou a psicóloga.

Para Artemísia do Vale, a construção de estratégias de enfrentamento à violência passa pela participação direta das mulheres indígenas e pela valorização de seus saberes e vivências.

“Porque as camadas de violência da mulher indígena vão além das camadas de violência da mulher branca. Elas [mulheres indígenas] também enfrentam a violência racial, a dificuldade de não falar o mesmo idioma e ter realmente uma escuta qualificada. E tudo isso a gente só consegue compreender quando temos um diálogo diretamente com as pessoas de dentro das comunidades”, destacou a advogada.

Claudia Baré ressaltou que ouvir as mulheres indígenas e proporcionar espaços para que elas compartilhem suas vivências e experiências ao lado dos profissionais é fundamental para compreender a realidade das comunidades e tornar mais efetivas as ações de enfrentamento à violência.

“Vale ressaltar que a violência, ela não é cultura, não é cultura jamais. A gente sabe que nós temos ‘parentas’ que até hoje vivem violentadas, então, vamos fazer a nossa parte, porque a gente sabe que não existe só na sociedade branca, existe também na sociedade indígena e muito. Estamos aqui hoje para fazer a nossa parte como uma ferramenta de repassar esse conhecimento, nós como mulheres indígenas, contra a violência doméstica”, afirmou a professora.

O curso “Gênero em Foco – População Indígena” iniciou em maio deste ano e teve cinco encontros, entre atividades presenciais e online. Ao longo da formação, foram abordados temas como violência de gênero no contexto das mulheres indígenas, construção de planos de segurança, envelhecimento, uso abusivo de substâncias, entre outros assuntos voltados ao fortalecimento da rede de proteção e à promoção de um atendimento humanizado.

Fonte: TJAM

Foto: Raphael Alves    


Postagens relacionadas

Atletas e dirigentes de clubes declaram apoio à reeleição de Wilson Lima

Paulo Apurina

Segunda Câmara Cível do TJAM confirma decisão que condenou o Estado a indenizar familiares de pessoa que faleceu em decorrência da crise de oxigênio ocorrida em Manaus no ano de 2021

Paulo Apurina

Proposta de Roberto Cidade fortalece promoção da igualdade e a valorização da diversidade étnico-racial no Amazonas

Paulo Apurina
WP2Social Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
Verified by MonsterInsights