BRASIL JUSTIÇA POLÍCIA

Caso Lulinha: Investigação de site confirma informações explosivas de Luchsinger a CNN


Ela mencionou relação de Lulinha que rendeu contratos bilionários a empreiteira no governo Lula

Apuração do jornalista investigativo David Ágape seguiu pistas deixadas nas entrelinhas da entrevista da lobista Roberta Luchsinger à CNN, que foi aoar no sábado (17), e confirmou elementos sobre Amauri Rodrigues Pinha, apresentado por ela como vizinho e próximo de Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), filho de Lula (PT) e investigado em três inquéritos da Polícia Federal por corrupção e tráfico de influência. Os inquéritos foram instaurados por determinação de ministros do Supremo Tribunal Federal(STF).

Na conversa com os jornalistas Débora Bergamasco e Iuri Pitta, Luchsinger — investigada pela Polícia Federal por suspeitas de tráfico de influência e ligada a inquéritos que também envolvem Lulinha e o empresário Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS” — mencionou a relação de Lulinha com o grupo português Mota-Engil e sua controlada no Brasil, a Empresa Construtora Brasil (ECB). Ela afirmou que Pinha, então presidente do conselho da ECB, era vizinho de Lulinha e que a proximidade teria facilitado o acesso a contratos públicos bilionários, incluindo negócios com a Petrobras e a concessão do túnel Santos-Guarujá. Luchsinger disse desconhecer os detalhes das conversas, mas questionou os contratos e anunciou intenção de firmar acordo de delação premiada, embora negue irregularidades próprias. Ela relatou ainda que ministros buscavam sua ajuda e a de Lulinha para obter agendas com o presidente.

A apuração, publicada no portal A Investigação, verificou a vizinhança no mesmo condomínio da zona sul de São Paulo e mapeou a atuação de Pinha. Agendas oficiais mostram que ele foi recebido pelo diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Fabrício de Oliveira Galvão, em pelo menos seis encontros entre julho de 2024 e fevereiro de 2025. Em parte das reuniões, atuou como “consultor” da Construtora Brasil (ligada ao consórcio Brasil-Mota-Engesur), tratando de obras da BR-381 e de uma ação judicial sobre obrigações contratuais. A esses contratos o DNIT vinculou multas de cerca de R$5 milhões e impedimentos de contratar por 36 meses, cujos efeitos foram suspensos administrativamente até o fim de tentativas de conciliação.

Em setembro de 2024, Pinha representou também a EDP Infraestrutura e Pavimentação — empresa ligada a Eduardo José Barros Costa (Eduardo DP), alvo de investigações da PF por desvios relacionados a emendas — em reunião no DNIT. Cerca de 50 dias depois, a EDP transferiu R$ 2,2 milhões à consultoria RL Consultoria e Intermediações, de Roberta Luchsinger, segundo comprovantes e reportagens de veículos como Metrópoles e Estadão (que apontaram total de R$ 4,1 milhões de empresas associadas a Eduardo DP). Agendas posteriores registram acesso de Pinha a autoridades da Casa Civil e do Ministério dos Transportes.

A defesa de Lulinha reconhece a amizade com Pinha e nega sociedade ou negócio conjunto. A Secom da Presidência afirmou que Lula nunca recebeu demandas da lobista. Os registros documentam a atuação de Pinha e os pagamentos, mas não comprovam que Lulinha tenha intermediado os encontros ou contratos. Luchsinger é alvo de medidas cautelares (incluindo tornozeleira) e responde a inquéritos sob sigilo no STF no âmbito da Operação Sem Desconto e outras apurações.

O relatório completo, com detalhes de agendas, contratos e cruzamentos, está disponível na bio do perfil de David Ágape no Instagram.

Via Diário do Poder


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