JUSTIÇA

Projeto da Defensoria muda percepção de pais sobre guarda compartilhada


Mais de 60 pais participaram da sexta edição do “Filhos Para Sempre”, que promove orientação antes da audiência de conciliação

Até participar do projeto “Filhos Para Sempre”, Aline Menezes acreditava que a guarda compartilhada significava apenas dividir o tempo de convivência com o filho, Cauê, de oito anos. Após a oficina realizada pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), ela e o ex-companheiro, Matheus da Silva, passaram a compreender que a responsabilidade pela criação da criança continua sendo de ambos, independente da separação.

“Guarda compartilhada, a gente pensa logo que é passar um mês comigo e outro com ele, mas não é assim. Hoje aprendemos que, independente de onde a criança esteja, tudo precisa ser conversado entre o pai e a mãe. Isso abriu bastante a nossa mente”, contou Aline, com um sorriso no rosto.

O casal esteve entre as mais de 60 pessoas que participaram da sexta edição de 2026 do projeto, realizada nesta quarta-feira (22/07), no auditório da sede administrativa da Defensoria, na avenida André Araújo. A iniciativa, criada em setembro de 2023, busca ampliar o acesso à Justiça por meio da educação em direitos.

Para Matheus, a oficina trouxe conhecimentos que ele ainda não tinha sobre a criação dos filhos após a separação.

“Eu não sabia muito também. Aprendi um pouco mais sobre a guarda e o convívio e isso foi muito importante para mim. Ajudou bastante”, afirmou o pai de Cauê.

Casada há 15 anos, Lídia Lima participou da oficina ao lado da filha e do companheiro, Jonismar Freitas. Participando pela primeira vez do projeto com a família, ela conta que a principal lição foi compreender que as decisões sobre a filha precisam ser tomadas em conjunto, sem deixar que os sentimentos da separação conduzam as escolhas.

“Eu achava que a responsabilidade caía só sobre uma pessoa, mas vi que, quando existe diálogo e as duas partes entram em acordo, tudo fica mais fácil. É importante não deixar que a raiva ou a mágoa falem mais alto na conversa entre os pais”, destacou Lídia.

Educação antes da conciliação

De acordo com o 1º subdefensor público-geral, Helom Nunes, idealizador do projeto, a experiência dos últimos anos mostra que os participantes chegam às audiências mais preparados para dialogar e construir soluções em conjunto.

“Atualmente, a equipe consegue perceber uma grande diferença nos acordos quando os pais participam do ‘Filhos Para Sempre’. Acreditamos muito nessa ideia da conscientização, que, junto com a atitude, é o que transforma”, destacou Helom Nunes.

Desde que passou a registrar os indicadores do projeto, a Defensoria observou resultados positivos na conciliação entre as famílias. Em 2024, foram realizadas 14 edições, com 714 participantes. Após as oficinas, 319 pessoas firmaram acordo em audiência de conciliação, enquanto apenas 66 convidados ingressaram com ação judicial.

Em 2025, o projeto chegou à 19ª edição e reuniu 950 participantes, o equivalente a 475 casais. Desse total, 435 chegaram a um acordo durante a audiência de conciliação.

Fonte: DPE-AM

Foto: Marcos Bessa    


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