BRASIL JUSTIÇA POLÍCIA

Vorcaro pediu notebook na prisão e Gonet concordou, mas Mendonça vetou a brincadeira


Vorcaro estava preso na superintendência da PF em Brasília, onde negociava acordo de delação premiada que fracassou

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, concordou com o pedido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para ter notebook na prisão e visitas de seus advogados no fim de semana, conforme solicitação da defesa, mas tudo foi vetado pelo ministro André Mendonça, o relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

O episódio que consta do acervo de documentos cujo sigilo foi levantado nos últimos dias e ganha relevância agora que se conhecem detalhes das relações do ex-banqueiro, investigado ppr fraude e por roubar os investdores do seu banco, com o chefe da PGR.

A tentativa de Vorcaro de obter as regalias de noteook e visitação aconteceu em março deste ano, pouco depois de sua segunda prisão, mas o relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Nessa ocasião, segundo o site GPS, que publicou a informação, Vorcaro estava preso na superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde negociava um acordo de delação premiada, afinal recusado em junho. Seus advogados argumentavam que as regalias buscavam dar “celeridade” à colaboração.

Relações Gonet/Vorcaro

As relações entre Daniel Vorcaro e Paulo Gonet foram tornadas públicas no relatório da Polícia Federal, e ocorreram principalmente via o advogado Ciro Soares, que intermediava recados. As conversas, extraídas do celular de Vorcaro, cobrem de abril de 2024 a meados de 2025 e incluem declarações de amizade, saudades, convites para eventos em Londres e o custeio de viagem do filho do procurador-geral.

Em abril de 2024, Ciro Soares escreveu a Vorcaro: “Amizade é tudo viu irmão” e “Gonet é firme”. O relatório associa o trecho a um episódio em que Gonet teria auxiliado em uma disputa eleitoral no Ministério Público de Minas Gerais.

Em 15 de março de 2025, Soares enviou a Vorcaro uma foto ao lado de Gonet e pediu: “Liga aqui. Ele quer falar com você”. Seguiram-se quatro ligações consecutivas entre os telefones de Soares e Vorcaro; a PF interpreta que o banqueiro falou com o PGR pelo aparelho do advogado.

“Oba!!!! Tomara que tenha charuto e Macalan!”

Em 28 de março de 2025, Soares encaminhou mensagens que atribuiu a Gonet: “Que bom! Estou na torcida por vocês!”; “Já estou com saudade de você! Estou embarcando para Roma”; e “Manda essa mensagem para ele”. Soares acrescentou: “O Gonet mandou msg pra vc”. Vorcaro respondeu: “Agradece muito o carinho” e “Saudade dele, vamos marcar estar juntos”. Soares completou que Gonet “lhe adora” e “Ele vai para Londres com a gente”.

Em seguida encaminhou outra mensagem atribuída ao PGR: “Oba!!!! Tomara que tenha charuto e macalan!”. Vorcaro retrucou: “Agora vai ter que ter plantação de charuto e barril de Macalan”.

Vorcaro e a viagem do filho de Gonet

No dia seguinte, 29 de março, Soares perguntou: “Gonet perguntou se o filho dele pode ir com a gente para Londres”. Vorcaro respondeu “Obvio ne” (ou “Óbvio”). Dias depois, ao receber lista de custos da viagem, o banqueiro autorizou: “Pedro e Ciro ok”. O relatório registra que Vorcaro bancou as despesas de Pedro Gonet (Pedro Henrique de Moura Gonet Branco) e de Ciro Soares. Uma mensagem posterior atribuída a Gonet, encaminhada por Soares, dizia: “Você é uma máquina”.

A referência a charutos e Macallan remete à degustação de abril de 2024 no George Club, em Mayfair, Londres, realizada em paralelo ao fórum jurídico patrocinado pelo Master. O evento, orçado em cerca de US$ 641 mil (equivalente a mais de R$3,2 milhões na época), reuniu Vorcaro, Gonet, ministros do STF (Alexandre de Moraes e Dias Toffoli), o então diretor-geral da PF Andrei Rodrigues e outras autoridades. Anotações recuperadas citam “serviço de degustação Macallan no George Club”. Uma segunda edição planejada para 2025, com o mesmo formato, foi cancelada.

As mensagens são relatadas pela PF como encaminhadas; a PGR, questionada à época, afirmou que não comenta investigação sigilosa. O relatório descreve a relação como próxima, com o advogado Ciro Soares fazendo a ponte entre o ex-banqueiro e o chefe do Ministério Público Federal.

Via Diário do Poder


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